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Paraguai atrai investimentos externos, mas enfrenta desafios estruturais

IMIGUAY · Atualizado em 15/10/2026 · 5 min de leitura

Paraguai atrai investimentos externos, mas enfrenta desafios estruturais

O Paraguai consolida grau de investimento e atrai indústrias com o regime de maquila, mas ainda enfrenta barreiras estruturais em educação e infraestrutura.

Crescimento econômico e atração de capital estrangeiro

O Paraguai tem avançado na consolidação de sua economia desde a superação de sua crise financeira em 2003. Com a adoção de maior disciplina fiscal, o fortalecimento do Banco Central do Paraguai (BCP) e o controle da inflação, a dívida soberana do país conquistou o cobiçado grau de investimento, um patamar alcançado por poucos países na América Latina. Informações publicadas originalmente por ABC Color indicam que o governo tem buscado posicionar o país como um polo manufatureiro voltado para a exportação.

Para viabilizar essa meta, foram implementadas simplificações burocráticas e a ampliação do regime de maquila. Por meio desse sistema, as empresas podem importar insumos com isenção de tarifas e tributam apenas 1% sobre o valor agregado. Como reflexo, as exportações de setores como autopeças e confecções têxteis apresentaram alta de 25% em 2025 na comparação com 2019, impulsionando o Produto Interno Bruto (PIB) a crescer 6,6%. O movimento tem sido impulsionado tanto por empresas locais quanto por fabricantes do Brasil e da Argentina que transferem parte de sua produção para escapar de cargas tributárias elevadas em seus países de origem.

Desafios estruturais e gargalos para o desenvolvimento

Apesar do avanço econômico, autoridades e organismos internacionais apontam que o país ainda precisa superar importantes barreiras estruturais. Cerca de um em cada cinco paraguayos vive abaixo da linha da pobreza e a economia mantém forte dependência do setor primário, sendo que os alimentos respondem por quase 70% das exportações. Além disso, a maquila representa apenas 2,5% do PIB e concentra-se em produtos de menor valor agregado.

  • O gasto público em educação representa apenas 3,5% do PIB, situando-se entre os menores índices da região.
  • Apenas 16% da malha rodoviária nacional encontra-se pavimentada, elevando os custos do transporte terrestre para cerca de 26% das despesas de exportação.
  • O Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Asunción, enfrenta limitações para absorver o crescimento do fluxo de passageiros e cargas.
  • A hidrovia Paraná-Paraguay sofre com períodos de seca que dificultam a navegação comercial fluvial.

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estima que o país precisará de investimentos da ordem de 10 bilhões de dólares até 2030 para modernizar rodovias, aeroportos e sistemas de transporte urbano, além de aprimorar a rede elétrica.

O que isso significa para brasileiros no Paraguai: Para empresários e investidores brasileiros, o cenário demonstra que o Paraguai oferece um ambiente fiscal bastante competitivo por meio da maquila e estabilidade macroeconômica, mas exige cautela quanto aos gargalos logísticos e à escassez de mão de obra altamente qualificada em determinados setores.

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